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O que é Ergonomia no Trabalho, tipos, riscos e NR-17

19 de ago. de 2022
9 min de leitura

Atualizado: 21 de set.


Duas pessoas em um ambiente industrial
O que é ergonomia

Entender de fato o que é ergonomia, corresponder às exigências legais e gerir a ergonomia no ambiente de trabalho é um desafio que muitas organizações enfrentam atualmente.


Esse desafio se deve ao fato de muitas empresas não enxergarem a área de ergonomia como um investimento, mas sim como um gasto.


Contudo essa visão está sendo apagada da mente de CEO’s e Diretores que vivenciam os retornos que a ergonomia agrega na organização.

Além disso, após a ergonomia adentrar ao PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais), alteração que entrou em vigor no início de 2022, a área está ganhando mais relevância, demanda e priorização.


Se você busca entender de fato o que é ergonomia no ambiente de trabalho e quais são os retornos reais que podem beneficiar sua empresa, esse conteúdo será de grande aprendizado!


Boa leitura!


Ergonomia no Trabalho: o que é, tipos, riscos e NR-17

Ergonomia no trabalho vai muito além de ajustar cadeiras, mesas ou orientar a postura dos trabalhadores.

Nas empresas, a ergonomia envolve compreender como o trabalho realmente acontece e avaliar a relação entre as pessoas, as atividades, os processos, a organização do trabalho, os equipamentos e o ambiente.

Quando bem estruturada, contribui para identificar riscos, orientar medidas de prevenção, melhorar as condições de trabalho e apoiar uma gestão mais eficiente da saúde e segurança ocupacional.

Neste guia, você vai entender o que é ergonomia, quais são seus principais tipos, como identificar riscos ergonômicos e qual é a relação da ergonomia com a NR-17, a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP), a Análise Ergonômica do Trabalho (AET) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).


O que é ergonomia?

Ergonomia é a área que estuda a interação entre as pessoas e os diferentes elementos que compõem uma situação de trabalho.

Na prática, isso significa analisar se as condições em que uma atividade é realizada estão adequadas às características dos trabalhadores e às exigências físicas, cognitivas e organizacionais presentes no trabalho.

No ambiente corporativo, a ergonomia permite olhar não apenas para o posto de trabalho, mas também para fatores como:

  • posturas e movimentos;

  • levantamento e movimentação de cargas;

  • mobiliário;

  • máquinas, equipamentos e ferramentas;

  • condições ambientais;

  • ritmo e exigências da atividade;

  • processos e organização do trabalho;

  • aspectos cognitivos relacionados à atividade.

Por isso, reduzir ergonomia a postura ou mobiliário é uma visão limitada.

Uma análise ergonômica adequada procura compreender como o trabalho é realizado, quais são as exigências presentes naquela situação e quais fatores podem comprometer a saúde e a segurança dos trabalhadores.


O que é ergonomia no trabalho?

Ergonomia no trabalho é a aplicação dos princípios ergonômicos às situações reais de trabalho.

Seu objetivo não é simplesmente tornar um posto “mais confortável”. A ergonomia busca compreender as características da atividade e adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores.

Essa abordagem é especialmente importante porque existe uma diferença entre o trabalho prescrito — aquilo que procedimentos, normas e instruções determinam — e o trabalho real, ou seja, aquilo que efetivamente precisa ser feito para que a atividade aconteça.

É nessa observação do trabalho real que muitas situações de risco se tornam visíveis.

Um procedimento pode parecer adequado no papel, por exemplo, mas sua execução pode exigir movimentos repetitivos, posturas desfavoráveis, esforço excessivo, atenção constante, ritmo elevado ou adaptações feitas pelo próprio trabalhador.

A ergonomia ajuda a identificar essas situações e direcionar medidas de prevenção mais adequadas.


Qual é o objetivo da ergonomia?

Dentro das organizações, a ergonomia deve contribuir para a prevenção e para a melhoria contínua das condições de trabalho.

Entre seus principais objetivos estão:

  • identificar perigos e fatores de risco ergonômico;

  • avaliar as situações de trabalho;

  • subsidiar medidas de prevenção e adequação;

  • reduzir exposições inadequadas;

  • apoiar a prevenção de agravos relacionados ao trabalho;

  • orientar melhorias em processos, postos e organização do trabalho;

  • acompanhar a efetividade das medidas implementadas.

Isso significa que a entrega da ergonomia não deveria terminar na elaboração de uma análise ou relatório.

O verdadeiro resultado está na capacidade de transformar os achados da avaliação em ações e acompanhar se essas ações efetivamente modificaram a exposição ao risco.


Quais são os tipos de ergonomia?

A ergonomia pode envolver diferentes dimensões da relação entre o trabalhador e sua atividade. Entre as mais conhecidas estão a ergonomia física, cognitiva e organizacional.


Ergonomia física

Está relacionada às características anatômicas, antropométricas, fisiológicas e biomecânicas envolvidas na atividade.

Pode envolver aspectos como:

  • postura;

  • movimentos repetitivos;

  • aplicação de força;

  • levantamento e transporte de cargas;

  • alcance;

  • dimensionamento do posto;

  • mobiliário;

  • ferramentas e equipamentos.

É provavelmente a dimensão mais conhecida da ergonomia, mas não é a única.


Ergonomia cognitiva

Analisa os processos mentais envolvidos na execução do trabalho.

Entram nessa avaliação aspectos como:

  • atenção;

  • percepção;

  • memória;

  • tomada de decisão;

  • carga mental;

  • interação com sistemas;

  • processamento de informações;

  • exigências cognitivas da atividade.

Esse olhar ganha cada vez mais importância em atividades que envolvem alta demanda de atenção, múltiplas informações, decisões rápidas ou interação constante com tecnologias.


Ergonomia organizacional

A ergonomia organizacional considera como processos, estruturas e formas de organização interferem na realização do trabalho.

Pode envolver:

  • divisão de tarefas;

  • ritmo de trabalho;

  • exigências de tempo;

  • comunicação;

  • autonomia;

  • processos;

  • conteúdo das tarefas;

  • organização das equipes;

  • instrumentos e recursos disponíveis.

Na prática, as dimensões física, cognitiva e organizacional frequentemente estão conectadas. Por isso, uma gestão madura de ergonomia evita analisar cada fator de maneira isolada.


O que são riscos ergonômicos?

Os riscos ergonômicos estão relacionados às características e exigências das situações de trabalho que podem comprometer a segurança e a saúde dos trabalhadores.

Podem estar associados, por exemplo, a:

  • exigências biomecânicas;

  • posturas desfavoráveis;

  • movimentos repetitivos;

  • aplicação excessiva de força;

  • levantamento e movimentação manual de cargas;

  • inadequações de mobiliário ou equipamentos;

  • exigências cognitivas;

  • ritmo e organização do trabalho.

A identificação desses fatores, entretanto, é apenas o primeiro passo.

Uma gestão de ergonomia precisa compreender onde estão os riscos, qual é o nível de exposição, quais situações precisam ser priorizadas e quais medidas devem ser implementadas.


O que a NR-17 estabelece sobre ergonomia?

A Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17) estabelece diretrizes e requisitos para permitir a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores.

A norma considera diferentes aspectos das condições de trabalho, entre eles:

  • levantamento, transporte e descarga de materiais;

  • mobiliário dos postos de trabalho;

  • trabalho com máquinas, equipamentos e ferramentas manuais;

  • condições de conforto no ambiente de trabalho;

  • organização do trabalho.

A NR-17 também estabelece dois instrumentos importantes para a avaliação das situações de trabalho: a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e a Análise Ergonômica do Trabalho (AET).


O que é Avaliação Ergonômica Preliminar - AEP?

A Avaliação Ergonômica Preliminar é utilizada para avaliar situações de trabalho que, pela natureza e pelo conteúdo das atividades, demandam adaptação às características psicofisiológicas dos trabalhadores.

Seu objetivo é subsidiar a implementação das medidas de prevenção e adequações necessárias.

A avaliação pode utilizar abordagens qualitativas, semiquantitativas, quantitativas ou uma combinação delas, dependendo do risco e dos requisitos aplicáveis.

Além de identificar perigos e riscos ergonômicos, a AEP ajuda a empresa a estabelecer prioridades e direcionar ações preventivas.


O que é Análise Ergonômica do Trabalho - AET?

A Análise Ergonômica do Trabalho é uma avaliação mais aprofundada da situação de trabalho.

De acordo com a NR-17, a organização deve realizar a AET em determinadas situações, como quando há necessidade de aprofundar a avaliação, quando as medidas adotadas se mostram inadequadas ou insuficientes, quando houver indicação decorrente do acompanhamento da saúde dos trabalhadores ou quando a análise de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho indicar causa relacionada às condições de trabalho.

A AET não deve se limitar à aplicação de uma ferramenta ou checklist.

Ela envolve compreender a demanda, a organização, os processos, as situações de trabalho e a atividade realizada, estabelecendo diagnóstico e recomendações e prevendo a participação dos trabalhadores no processo.


AEP e AET são a mesma coisa?

Não.

Embora ambas façam parte da avaliação ergonômica das situações de trabalho, possuem níveis de aprofundamento e aplicações diferentes.

De forma simplificada:

AEP: permite identificar perigos, avaliar riscos e subsidiar medidas de prevenção e adequação.

AET: aprofunda a análise de determinadas situações de trabalho quando os critérios previstos na NR-17 indicam essa necessidade.

Por isso, não se trata de escolher entre “fazer AEP ou AET” de maneira indiscriminada.

O importante é compreender a situação de trabalho e aplicar a abordagem adequada conforme os riscos identificados e os requisitos estabelecidos pela NR-17.


Qual é a relação entre ergonomia e PGR?

Ergonomia e gerenciamento de riscos ocupacionais precisam estar conectados.

A NR-17 estabelece que os resultados da Avaliação Ergonômica Preliminar devem integrar o inventário de riscos do PGR. Quando aplicável, os resultados da AET também podem levar à revisão da identificação dos perigos e da avaliação dos riscos.

As medidas de prevenção e adequações decorrentes da AEP e as recomendações provenientes da AET devem alimentar os respectivos planos de ação.

Na prática, isso significa que a ergonomia não deveria funcionar como um processo paralelo dentro da empresa.

Avaliar → priorizar → definir ações → implementar → acompanhar resultados.

É essa integração que transforma a ergonomia de uma obrigação documental em uma ferramenta de gestão.


Ergonomia também envolve fatores psicossociais?

A ergonomia não se restringe às demandas físicas da atividade.

A organização do trabalho e os aspectos cognitivos fazem parte do olhar ergonômico e podem contribuir para a compreensão de fatores de risco relacionados às condições em que o trabalho é realizado.

Na ElevaLife, a avaliação dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho é integrada à abordagem ergonômica, podendo ser realizada por meio da Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) ou da Análise Ergonômica do Trabalho (AET), conforme as características e necessidades da situação avaliada.

Esse olhar integrado evita tratar aspectos físicos, cognitivos e organizacionais como problemas completamente independentes.


Ergonomia é apenas uma obrigação legal?

Atender aos requisitos legais é uma parte importante da gestão de ergonomia, mas limitar a atuação ao cumprimento documental reduz significativamente seu potencial.

Uma empresa pode possuir AEPs, AETs, relatórios e planos de ação e ainda continuar convivendo com riscos relevantes.

Por isso, além de perguntar:

“As avaliações foram realizadas?”

é importante perguntar:

“Os riscos identificados foram reduzidos?”

Essa mudança de perspectiva diferencia uma empresa que faz ergonomia de uma empresa que efetivamente gerencia ergonomia.


O que é Gestão de Ergonomia?

Gestão de Ergonomia é a organização contínua do processo de identificação, avaliação, priorização, tratamento e acompanhamento dos riscos ergonômicos.

Ela conecta as diferentes etapas do processo:

Identificação de riscos → AEP → aprofundamento por AET, quando necessário → plano de ação → implementação → acompanhamento → indicadores → reavaliação.

Em empresas com diferentes unidades, processos e grande número de trabalhadores, essa visão sistêmica se torna ainda mais importante.

Não basta saber quantas análises foram realizadas.

É necessário saber:

  • quantos riscos foram identificados;

  • quais são prioritários;

  • quais ações foram implementadas;

  • quantas recomendações permanecem pendentes;

  • como o nível de exposição está evoluindo;

  • quais áreas concentram os maiores problemas;

  • se as intervenções realizadas estão produzindo resultados.


Quais indicadores de ergonomia uma empresa pode acompanhar?

Os indicadores devem variar conforme a realidade e os objetivos de cada organização, mas podem incluir métricas de entrega, exposição e resultado.

Alguns exemplos são:

  • AEPs planejadas x realizadas;

  • AETs necessárias x realizadas;

  • riscos identificados por nível de criticidade;

  • percentual de planos de ação concluídos;

  • tempo médio para tratamento de riscos;

  • evolução dos níveis de risco após intervenções;

  • queixas musculoesqueléticas;

  • afastamentos relacionados a condições osteomusculares;

  • trabalhadores com restrições funcionais;

  • áreas ou processos com maior concentração de riscos.

O ponto central é evitar utilizar apenas indicadores de esforço.

Número de avaliações realizadas mostra o quanto a equipe trabalhou. Evolução do risco mostra o que a gestão conseguiu transformar.


Como estruturar a ergonomia dentro da empresa?

Uma estratégia consistente pode começar com cinco perguntas:

1. Onde estão os principais riscos ergonômicos?

A empresa precisa conhecer suas situações de trabalho e identificar onde estão as maiores exposições.

2. Quais riscos precisam ser priorizados?

Nem todos os problemas possuem a mesma criticidade. A priorização direciona recursos para as situações mais relevantes.

3. Quem é responsável pelas ações?

Planos de ação sem responsáveis, prazos e acompanhamento tendem a permanecer abertos.

4. As intervenções reduziram o risco?

Concluir uma ação não significa necessariamente resolver o problema. É necessário verificar sua efetividade.

5. Os dados de ergonomia conversam com outros dados de saúde?

Queixas, afastamentos, restrições funcionais, dados médicos e indicadores ergonômicos podem fornecer uma visão mais completa quando analisados de forma integrada.


Como a ElevaLife atua na Gestão de Ergonomia?

A ElevaLife atua na Gestão de Ergonomia apoiando empresas desde a identificação e avaliação dos riscos até o acompanhamento dos planos de ação e indicadores.

A atuação pode envolver:

  • Avaliação Ergonômica Preliminar - AEP;

  • Análise Ergonômica do Trabalho - AET;

  • gestão dos planos de ação;

  • avaliações de trabalhadores com restrições funcionais;

  • apoio técnico e comitês de ergonomia;

  • treinamentos e ações educativas;

  • avaliação de fatores psicossociais relacionados ao trabalho;

  • acompanhamento de indicadores;

  • dashboards e gestão de dados ergonômicos.

Mais do que produzir análises isoladas, a proposta é transformar as informações geradas pela ergonomia em uma base para priorizar riscos, acompanhar ações e apoiar decisões.


Ergonomia como estratégia de prevenção

Uma gestão eficiente de ergonomia não começa quando surge um afastamento ou quando um trabalhador já apresenta uma queixa.

Ela começa antes.

Ao identificar riscos, compreender o trabalho real, priorizar situações críticas e acompanhar a implementação das melhorias, a empresa passa de uma atuação predominantemente reativa para uma abordagem preventiva.

Esse é um dos principais desafios da ergonomia corporativa atualmente:

não apenas identificar riscos, mas transformar informação em ação e ação em redução efetiva da exposição.


Se a sua empresa precisa estruturar ou evoluir a Gestão de Ergonomia, a ElevaLife pode apoiar desde a avaliação das situações de trabalho até a gestão dos planos de ação, indicadores e resultados.


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